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Quais as principais complicações da escleroterapia?

Quais as principais complicações da escleroterapia?

Quais as principais complicações da escleroterapia?

Janeiro, mês de férias e descanso para muitos e de trabalho intenso para nós. Estamos felizes com os mais de 5 mil novos visitantes nos últimos 27 dias e desejamos muitos mais! Obrigada!

Vamos iniciar nossa última semana de janeiro com uma palavra um tanto desagradável, mas que faz parte do nosso dia-a-dia e dela não podemos escapar: “complicações”.

“Complicações” que significa isso?

Muitas palavras têm uma imensa participação e significado em nossa existência, porém, ao tentar descrevê-las, conceitualmente, titubeamos…

Genericamente, o que sao “complicações”? Gostei desse resultado de busca https://www.sinonimos.com.br/complicacao

e destaco algumas palavras:

Obstáculo, embaraço, impedimento, labirinto, enredo, complexidade, escabrosidade, problema, encrenca, frustração, dificuldade, emaranhado, confusão… É suficiente, não?

Não obstante ser uma palavrinha do dia e da hora, esse termo tornou-se quase propriedade exclusiva da medicina. Complicações em medicina começam a ser estudadas nos primeiros anos da formação médica.

As complicações médicas são inerentes ao exercício da medicina e expressas em estatísticas. Qualquer tratamento médico implica em probabilidade de resolução ótima, boa ou regular do problema.

Quando a solução deixa a desejar ou a reação adversa do tratamento é de tal monta que equivale a outro problema para médico e paciente, temos “complicações”.

Gostaríamos de não tê-las, mas são inexoráveis, nosso mundo não é perfeito…

Então, preste bem atenção quando você busca uma solução para o seu problema de saúde pois, uma das marcas do profissional sério e competente é lhe dar um panorama completo do quadro, inclusive, as complicações inerentes ou potenciais de uma proposta terapêutica.

Tipos de escleroterapia

Antes de falarmos nas complicações específicas da escleroterapia, vamos dar uma pincelada no conceito e nos tipos de escleroterapia para situar você.

A Escleroterapia é um tipo de tratamento quase secular para veias doentes de calibres variados. Aplica-se tanto a varizes volumosas quanto a pequenos vasos.

Escleroterapia, etimologicamente, deriva de “Escleros”, palavra grega que significa duro, endurecer. Então, escleroterapia consiste no tratamento que visa tornar algo duro, enrijecido, esclerosado. Veias doentes, no caso.

O modus operandi é através de injeções dentro das veias varicosas, de modo a torná-las enrijecidas e secas, excluindo-as do sistema venoso e fazendo cessar sua disfunção deletéria.

A publicação mais antiga que encontrei sobre o assunto foi a do autor Dr Biegeleisen, no ano 1937, a qual pode ser lida em sua íntegra no link https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1390375/pdf/annsurg00533-0131.pdf

Interessante notar que Biegeleisen menciona diversas substâncias utilizadas em sua época, algumas das quais ainda utilizadas nos dias atuais. Sua notável experiência inclui o tratamento de centenas de pacientes com cada um dos esclerosantes.

Também relata complicações como cãibras, inflamações e formação de nódulos endurecidos no trajeto das veias, descamações na pele e necrose da pele, estas últimas, em caso de extravasamento do remédio fora do vaso.

Surpreendente quantas semelhanças com os tratamentos modernos!

Os tipos de escleroterapia são:

  • Escleroterapia sob forma líquida
  • Escleroterapia sob forma de espuma
  • Escleroterapia com Laser Transdérmico

Escleroterapia líquida

Como o próprio nome diz, consiste na injeção de esclerosantes sob forma líquida no interior das veias doentes. Sua principal indicação é para o tratamento dos vasos de pequeno calibre, as telangiectasias e veias reticulares insuficientes.

Esses pequenos vasos, também conhecidos como “microvarizes” ou “vasinhos”, simplesmente, são classificados como grau 1 na classificação internacional conhecida como CEAP Você saberia dizer qual o seu grau de varizes? Ou melhor, você tem varizes ou “vasinhos” ou veias? Saiba quais são as classes de doenças de circulação venosa pela CEAP

Escleroterapia com espuma

Na escleroterapia com espuma, o esclerosante, remédio utilizado para o tratamento será associado a algum tipo de gás para, sob pressão, torná-lo em espuma. Gosto de exemplificar com o processo de bater uma clara de ovo em neve.

O medicamento sob forma de espuma expande-se, tornando-se mais poderoso e eficaz. Isso significa o poder de tratar varizes mais calibrosas e mesmo veias safena doentes, com refluxo significativo.

Por outro lado, o potencial de complicações, devido à potência adicional da forma espuma, também tende a aumentar.

Escleroterapia com Laser transdérmico

Nessa modalidade, o tratamento é feito com disparos de energia Laser diretamente sobre o vaso cutâneo ou subcutâneo, promovendo lesão por aquecimento do mesmo.

O tipo de Laser mais adequado aos vasos dos membros inferiores é o Nd YAG 1064, de pulso longo. A luz do Laser visa a célula sanguínea que contém o pigmento da hemoglobina, o qual chamamos cromóforo.

A indicação para o Laser transdérmico sobrepõe-se à indicação da escleroterapia líquida, ou seja, os vasos de pequeno calibre, as telangiectasias e veias reticulares insuficientes.

Também pode ser utilizada em conjunto com a escleroterapia líquida. Ver mais em LASER para vasinhos: vantagens e desvantagens

Complicações da escleroterapia

Agora, sim, podemos ir direto ao ponto. As complicações da escleroterapia são pertinentes ao tipo de técnica utilizada e podem ser locais (provocadas na pele adjacente) ou sistêmicas (reações em todo o organismo).

Complicações da escleroterapia líquida:

  • Locais: hiperpigmentação, equimose, hematoma, necrose da pele, úlcera, hirsutismo (aumento de pelos) no local e matting telangiectásico (formação de vasos de até 0,2 mm diâmetro ao redor da região tratada).
  • Sistêmicas: reação alérgica de leve a grave, alterações visuais, dor de cabeça, trombose em outros vasos à distância.

Complicações da escleroterapia com espuma:

  • Locais: hiperpigmentação, equimose, hematoma, necrose da pele, úlcera, matting telangiectásico (formação de vasos de até 0,2 mm diâmetro ao redor da região tratada).
  • Sistêmicas: reação alérgica de leve a grave, alterações visuais, dor de cabeça, trombose em outros vasos à distância, eventos neurológicos (isquemia cerebral e derrame) e outros. ver mais em ESPUMA-VARIZES VANTAGENS E DESVANTAGENS

Complicações da escleroterapia com Laser Transdérmico

Considerações finais

Foram listadas acima as principais complicações dos vários tipo de escleroterapia, sem maiores descrições do mecanismo de ação de cada uma delas. Há outros tipos de complicações mais raros e que fogem ao escopo deste texto.

Queremos salientar que as complicações mais frequentes em todas as formas de escleroterapia são relativamente benignas e quase sempre transitórias, isto é, resolvem-se com o passar do tempo.

Nas raras vezes em as complicações graves ocorrem, há um protocolo médico bem estabelecido para tratamento dessas complicações, com ou sem o concurso de outras especialidades médicas.

Portanto, procure sempre um especialista em Angiologia para cuidar do seu caso. Se você não sabe o que faz um Angiologista, clique em Você sabe o que faz um angiologista?

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Postado em: Informativo

Deixe um Comentário (14) →

14 respostas para “Quais as principais complicações da escleroterapia?”

  1. Anônimo disse:

    Uma aula! Esclarece de modo claro, acessível e sério! Muito bom!

  2. Gcs disse:

    Uma aula! De maneira clara, acessível e seria! Muito bom!

  3. Lu disse:

    Fiz o procedimento em consultório e hj senti rosto queimando, alguns pontos na visão preto e logo melhorei. Será q devo continuar o tratamento? Nunca tinha me acontecido.

    • csathler disse:

      Bom dia, Lu! Sugiro que você esclareça essas dúvidas com o médico angiologista que realizou o procedimento. Abraço!

  4. Simone disse:

    Estou fzendo esse procedimento,só não gostei muito novos vasos pode aparecer ao redor da região tratada mais porque,a minha médica mim falou q pode voltar sim pq vasinhos não tem cura,agora pelo q diz o texto novos vasos aparecerão ao redor da região tratada não entendi nada

    • csathler disse:

      Prezada Simone, você deve relatar todas as suas dúvidas à sua médica, isso é importante para o sucesso final do tratamento. Abraço, Cláudia Sathler.

  5. Simone disse:

    Fiz aplicação de espuma nos vasinhos, eles ficaram escuros , duros com alto relevo, deu algumas bolhas no local como se fosse queimaduras, isso é normal?
    Melhora com o tempo?
    Pois meu médico furou , expremeu o sangue e disse que irá clarear

    • csathler disse:

      Olá, Simone! Os efeitos do tratamento devem ser acompanhados pela (o) angiologista que está lhe assistindo. Comunique ao profissional as suas dúvidas pois ela (ele) estará apta (a) a esclarecer e dar tratamento coadjuvante, se necessário. Abraço!

  6. Denize disse:

    Olá bom dia….fiz aplicação de vasinhos hj e após comecei a sentir uma dor no peito, e qndo puxo o ar sinto doer….e normal? Faz +/- uma hora que fiz e estou com esse sintoma.

    • csathler disse:

      Olá, Denize! Creio que você já deve ter entrado em contato com o seu médico para esclarecer sua queixa, caso contrário, não deixe de procurá-lo para informar o que sentiu e ser orientada, apropriadamente. Abraço!

  7. F E S M disse:

    fiz o procedimento e com vinte e quatro horas tive que drenar , houve extravasamento da espuma e desde então é só dor.o médico falou que não tinha nada haver com o procedimento,ressaltando que quem fez foi um residente R1 e não um profissional experiente.como posso resolver pra melhorar a dor e clarear as manchas escuras que ficaram? Agora surgiu um dor incomoda na arteria pedial.

    • csathler disse:

      Olá Eri! Sugiro que você volte ao serviço onde foi realizado o procedimento e seja avaliado por um especialista em Angiologia ou Cirurgião Vascular. Qualquer eventual complicação poderá ser diagnosticada e tratada por esse profissional. Grande abraço! Cláudia Sathler

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